sábado, 8 de junho de 2013

A PONTE DOS REMÉDIOS DA MANAUS DE ANTIGAMENTE

PONTE DO ATERRO ou PONTE DOS REMÉDIOS - Assim era conhecida a ponte de ferro que ligava o bairro dos Remédios ao bairro da República (hoje centro da cidade).  Inicialmente a ponte foi construída em madeira e atendia os frequentadores da Igreja dos Remédios, principalmente após o incêndio da Igreja Matriz. Ela ficava localizada frente à capitania dos portos. Para melhor situar, próximo ao local onde hoje está o edifício Ajuricaba (antigo Hotel Amazonas), entre a Praça Tenreira Aranha (Tamandaré) e a Rua Miranda Leão.




A ponte foi importada dos EUA em 1881 e desarmada em 1901 com o aterro e canalização do igarapé. Segundo o professor Mario Ypiranga, a referida ponte tinha como próximo destino, a localização da Saldanha Marinho e Getulio Vargas, local que também tinha um igarapé, mas com o aterro do igarapé dos Remédios a mesma nem chegou a ser montada no local, e as suas ferragens tomaram rumo ignorado. Manaus era uma cidade com muitos igarapés de águas limpas e que transbordavam vida, hoje nos restam apenas fotos antigas. 



Na imagem abaixo temos um retrato excelente da localização da ponte. Podemos observar uma Manaus rural.



Segundo o IBGE, Manaus em 1872 possuía cerca de 29.000 habitantes. Sendo que de 1877 a 1878 passaram pela cidade como retirantes cerca de 19.910 retirantes devido as grandes secas no Nordeste. E já em 1892 migram para a cidade cerca de 13.593 nordestinos que vieram trabalhar nos seringais da região. E nos idos de 1898 até 1900, entrou na cidade um fluxo de cerca de 88.709 migrantes na cidade sendo que a maioria foi deslocada para as cidades do interior para trabalharem nos grandes seringais. E também que de 1877 e 1920 esse fluxo no total chegou a cerca de 300.000 nordestinos. O que se pode concluir é que essa leva maciça de imigrantes tornou-se uma constante naquele quartel de século. O que nos faz pensar que certamente os governos provinciais no Império e na República certamente já tinham um plano traçado para receber essa grande demanda de migrantes na cidade de Manaus, e isso nos faz pensar que apesar de as fotos mostrarem uma aparente cidade bucólica, era movimentada e em constante processo de urbanização. Retirada de pontes, calçamento de ruas, instalação de bondes elétricos,  grande contingente de casas comerciais, vendas, lojas, empresas estrangeiras, casas exportadoras que cresceu consideravelmente naquele período, nos mostra que a cidade oferecia um crescimento significativo naquele período. Certamente nossa cidade poderia ser considerada já uma cidade madura para receber as levas de brasileiros migrantes e imigrantes estrangeiros. Certamente esse contexto impulsionou o interesse dos investidores, o que desencadeou alem das exportações a criação de linhas regulares de turistas,aventureiros, migrantes que tinham nesta cidade um lugar de referência significativo e o conceito se perpetua até os dias atuais.



 Nessa imagem (1901) a ponte já havia sido desmontada e retrata o processo de construção do calçamento da Praça Tenreiro Aranha, hoje no local existe uma feira de artesanato e bem no meio está o Pavilhão Universal retirado da Praça 15 de Novembro (Terminal de Matriz). Alguns desses prédios ainda existem e o mais alto que aparece, é atualmente uma agência bancária do Itaú.

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